30 de março de 2021
Redação Alternativa

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Recentemente, o sistema de pagamentos brasileiro começou a ser transformado por uma onda de digitalização. O tempo de compensação bancária, por exemplo, que antes levava até cinco dias úteis para ser concluído, agora, com o PIX, é feito em alguns segundos. Instantaneamente, o valor da transferência cai na conta do destinatário.

Com tamanha agilidade e praticidade para os usuários, o PIX já é uma realidade no setor financeiro do Brasil. Desde novembro de 2020, o sistema está no ar, sob a supervisão do Banco Central, como uma opção mais econômica para transações entre empresas e consumidores. A nova alternativa deve impulsionar a digitalização das transações, melhorando a eficiência de todo o sistema.

Mesmo com pouco tempo de operação, na segunda semana de dezembro, o PIX já chegou à marca de quase 40% de todas as transferências bancárias realizadas, movimentando R$ 24,9 bilhões. O valor representa 6 vezes o número de DOCs do período.

Vale destacar ainda que o PIX foi lançado em um momento favorável, marcado pela digitalização bancária. Ao longo de 2020, com a pandemia e a necessidade de isolamento social, os brasileiros passaram a buscar soluções de pagamento sem contato. Com isso, o número de clientes do e-commerce, bem como dos bancos e fintechs digitais cresceu muito.

Neste contexto, tudo indica que o PIX deve se consolidar como o substituto dos meios físicos de pagamento, como boleto e dinheiro. Às empresas que mantêm e-commerce, cabe o desafio de compreender o potencial do novo sistema de pagamento e aprender como usá-lo no dia a dia, incentivando, inclusive, a adoção pelos clientes.

Quer saber mais sobre o potencial do PIX no varejo?

Continue lendo o material!

Começando pelo conceito: o que é o PIX?

O PIX é um novo sistema de pagamento eletrônico brasileiro. Na prática, ele permite o envio e o recebimento de transações entre diferentes bancos e instituições financeiras 24 horas por dia, a qualquer momento, nos sete dias por semana, com acesso digital e compensação instantânea. A transação é concluída no prazo máximo de 10 segundos.

Afinal, o que muda com o PIX?

O PIX é mais uma alternativa entre os diversos meios de pagamento que já são usados no mercado bancário. Usando o PIX, é possível realizar transações:

  • Entre pessoas;
  • Entre pessoas e estabelecimentos comerciais;
  • Entre estabelecimentos;
  • Para entes governamentais (pagamento de impostos e taxas).

Para usar a nova modalidade de pagamento, tanto o pagador quanto o recebedor devem ter uma conta em banco, instituição de pagamento ou fintechs. Além disso, é preciso ter pelo menos uma chave de segurança cadastrada.

A chave é o código que indica a conta de destino dentro do Sistema de Pagamentos Instantâneos. Desse modo, não é mais preciso compartilhar número de CPF, agência e conta para transferência entre bancos diferentes.

Além disso, como já comentamos, outro diferencial é a alta disponibilidade e acessibilidade do sistema do PIX, seguindo o modelo 24/7, com compensação instantânea do valor da transação.

O impacto do PIX no e-commerce

O PIX no varejo traz uma nova modalidade de pagamento para os clientes: é mais prático do que dinheiro e mais rápido do que boleto bancário. Contudo, não permite pagamento a prazo ou parcelado ainda, mas está previsto para 2021. É preciso ter saldo em conta para fazer a transferência!

Para os e-commerces, o PIX no varejo gera uma série de benefícios:

  • Liquidação imediata da transação: os pagamentos acontecem entre pagador e recebedor e são concluídos em até 10 segundos. Essa rapidez contribui para a saúde do fluxo de caixa dos lojistas;
  • Redução de reserva de estoque: quando as compras são feitas por boletos, os lojistas precisam manter os produtos separados até a compensação do pagamento. Com o PIX, a transação é concluída de imediato, eliminando a necessidade de reserva de estoque;
  • Diminuição de custos de transação: quando as compras são feitas com cartão de crédito ou débito, os lojistas pagam uma taxa para cada transação. Com os pagamentos via PIX, eles deixam de ter esse custo;
  • Aumento de potenciais clientes: a adesão crescente ao PIX pode trazer para o sistema digital um público desbancarizado até o momento e que costuma comprar à vista.

Certamente, a adoção do PIX no varejo digital irá contribuir para a diversificação do público que compra na internet. Agora, mesmo as pessoas que não possuem um cartão de crédito agora podem usar esta nova forma de pagamento.

Antes, a opção mais viável, geralmente, seria o pagamento via boleto, que levava alguns dias para ser compensado.  Além disso, para os clientes já acostumados a usar as carteiras digitais (wallets), o PIX é uma opção prática.

De maneira geral, a expectativa é que o PIX no varejo impulsione o crescimento do e-commerce. Afinal, a nova modalidade de pagamento oferece simplicidade e rapidez aos clientes e economia aos lojistas.

Como funciona o PIX

Como já vimos até aqui, o PIX é um sistema de pagamentos em tempo real. Sendo assim, ele não dispõe do recurso de agendamento de pagamento. Na prática, é preciso ter saldo na conta, para que a transação seja concluída. Caso contrário, a transação é cancelada instantaneamente.

Esse processo, rápido, simples e direto, garante que a transação seja feita sem intermediação de terceiros. Ou seja, o dinheiro sai de uma conta e segue para a conta do destinatário.

Vale destacar que o PIX é gratuito para pessoas físicas, mas pode ser cobrado em algumas situações. Se um cliente escolhe fazer a transferência em um meio físico em vez de digital, por exemplo, ele pode pagar uma taxa. Além disso, dependendo da instituição financeira, pessoas jurídicas também podem pagar uma taxa.

Santander, Itau, Bradesco e Banco do Brasil já definiram percentuais de cobrança para esse tipo de transação, e o custo pode ser alto. Até então, instituições financeiras digitais, como Nubank, Inter e PicPay ainda não cobram pelas transações via PIX.

Como são feitas as transferências via PIX?

De acordo com as orientações do Banco Central, as transações do PIX poderão ser feitas de diferentes formas:

  • A partir de uma chave do PIX: o usuário pode adicionar uma ou mais chaves a uma conta que já possui; A chave pode ser o número de celular, e-mail, CPF ou CNPJ ou, ainda, uma chave aleatória, que mescla números e letras. As pessoas físicas podem cadastrar até 5 chaves, quanto empresas têm o limite de 20 chaves. Para transferências, é preciso informar somente uma destas chaves;
  • Informando os dados bancários do destinatário: como em uma transação de TED e DOC: nome completo, CPF, número da instituição, agência e conta;
  • Usando a leitura de QR Codes: assim, os pagamentos são escaneados por meio de um código QR gerado pelo recebedor.

Na prática, o PIX dispensa o preenchimento do formulário de dados para fazer uma transferência, além de proporcionar o recebimento do valor em tempo real.

11 vantagens no uso do PIX no varejo

O PIX tem um impacto importante sobre a gestão financeira do varejo, pois aumenta o giro de caixa e libera mais recursos para investimentos estratégicos. Entre os principais benefícios do uso do novo sistema pelas empresas estão:

#1 Praticidade e melhoria na experiência de compra

O PIX pode ser feito de qualquer lugar, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Ou seja, ele é um método de pagamento que está sempre acessível. Para fazer qualquer tipo de compra, basta o cliente ter seu smartphone, conexão à internet, e saldo em conta para pagar à vista. É claro que essa praticidade melhora a experiência de compra do usuário.

#2 Ganho de produtividade

Nas rotinas de backoffice, como pagamentos a fornecedores e conciliação bancária, o PIX é sinônimo de ganhos de produtividade. Afinal, em vez de preencher um conjunto de dados em um DOC para um fornecedor, é só digitar o número da chave PIX e concluir a transação em tempo real dentro de poucos segundos. Além disso, o sistema também pode ser usado para integrar carteiras digitais, otimizando a conciliação dos recebíveis.

#3  Aumento da oferta de meios de pagamento

O PIX no varejo é uma modalidade que deve estimular a digitalização dos pagamentos. O lojista pode, inclusive, utilizar um único QR Code para diversas carteiras digitais, centralizando o recebimento em um único sistema digital. Com isso, é possível ampliar os meios de pagamento para o cliente, obtendo aumento nas vendas.

#4 Diminuição dos custos operacionais

Para os varejistas,as taxas pagas na emissão de boletos ou nas transações de débito e crédito somam um custo operacional representativo. Igualmente, os serviços de TED e DOC também possuem uma taxa predefinida na maioria dos bancos.

Já o PIX é gratuito para pessoas físicas, mas pode ter custo para pessoas jurídicas, dependendo da instituição financeira.  Clientes de fintechs e bancos digitais, como Nubank e Inter, ainda tem acesso às transações PIX gratuitamente Já outros bancos  podem cobrar uma taxa para uso do serviço. Recentemente, o Itaú anunciou a aplicação de tarifa para transferências PIX.

Ainda assim, a taxa deve ser relativamente menor do que o valor cobrado nas demais modalidades de pagamentos, como DOC e TED. 

#5 Aumento do fluxo de caixa

Quando o cliente quita um boleto, o prazo de compensação pode levar até 3 dias úteis. Já nas vendas com cartão de crédito ou débito, o dinheiro só fica disponível na conta do lojista no dia seguinte ou dois dias depois da compra. O PIX no varejo permite o recebimento do valor em tempo real. Feita a transação, o dinheiro é direcionado para a conta da loja em até 10 segundos.

Essa disponibilidade de recursos gera um aumento de fluxo de caixa, facilitando a aquisição de produtos e viabilizando investimentos em outras áreas da empresa.

#6  Redução de fraudes

Com as transações realizadas em tempo real, o PIX no varejo também reduz as chances de fraudes com cartões de débito, crédito ou boletos. Na prática, esse ganho é sinônimo de segurança, redução de custos e aumento do potencial competitivo do varejo.

#7  Gestão aprimorada de estoques

No e-commerce, o uso do boleto como método de pagamento exige atenção a uma série de processos internos. Depois do pedido feito, a equipe precisa separar o produto e esperar pela compensação do boleto, o que pode levar até três dias úteis. Além disso, a loja corre o risco de emitir o pedido e o boleto, mas não concluir a venda por falta de pagamento.

O fato é que esse período de reserva do produto é um tempo valioso para o lojista.

Em períodos de vendas em alta, como Black Friday e Natal, a dinâmica do boleto pode, inclusive, prejudicar a lucratividade do varejo.

O PIX no varejo agiliza e melhora a gestão de estoques, isentando o lojista das ineficiências geradas pela venda com boleto.

#8 Controle de inadimplência

Esse é um dos principais benefícios do PIX no varejo. O sistema de pagamento instantâneo ajuda a diminuir a inadimplência do varejo.

Isso porque os lojistas não precisam lidar com algumas situações. Se antes a área de cobrança emitia um novo boleto para o cliente para receber o valor dias depois, com o PIX é bem mais simples. Basta enviar um link de pagamento para o cliente. Assim que ele conclui a transação, a loja recebe o valor no mesmo instante.

#9 Diminuição nas filas

Nas lojas físicas, o pagamento costuma ser a parte menos agradável e mais demorada da experiência de consumo. Quando o varejista opta pelo uso de QR Codes para recebimento, ele incentiva o pagamento móvel, tornando essa etapa mais rápida e menos visível no processo de compra.

Além do consumidor, a loja também ganha com a agilidade no processamento dos pagamentos.

#10  Dados e perfil do cliente

Com o uso do PIX no varejo, as lojas podem optar pelo uso de sistema de dados, explorar os recursos das plataformas de CRM e acelerar a transformação digital do negócio.

Isso tudo é possível porque as transações em tempo real aumentam as possibilidades de conhecer os hábitos de consumo dos clientes. Se combinado com programas de fidelidade, o PIX pode enriquecer a base de informações sobre os clientes.

Contudo, vale lembrar que para usar os dados pessoais dos consumidores é preciso observar as disposições legais da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

#11 Pagamento parcelado 

Tanto em lojas físicas quanto em lojas virtuais, uma das condições de pagamento mais tradicional no varejo brasileiro é o parcelamento. E segundo o Banco Central (BC), em 2021, a funcionalidade de PIX Parcelado deve chegar aos consumidores com o nome de PIX Garantido. Além disso, pagamentos por aproximação também passarão a ser aceitos via PIX ainda em 2021, segundo o BC.

Como cadastrar a chave para trabalhar com o PIX no varejo

Se você gostou de tudo que viu sobre o PIX, saiba que para começar a usar o sistema você precisa de uma chave de acesso – um “apelido” ou “código”. Para criar as chaves PIX do seu negócio, é preciso vincular uma conta bancária. Contudo, depois você pode escolher qualquer plataforma para administrar suas chaves.

Na prática, é possível definir uma chave PIX vinculada a uma conta no banco da sua preferência, mas decidir fazer o gerenciamento por um app de carteira digital (e-wallet). Cada pessoa jurídica pode ter até 20 chaves de acesso diferentes, sendo que cada uma é associada a um dado, como e-mail, telefone celular, CNPJ ou chave aleatória.

Criadas as chaves, é só disponibilizar uma delas para os clientes. Assim, eles terão como fazer pagamentos em tempo real de um jeito simples, prático e rápido.

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